Hoje acordei linda!, uma exposição conjunta de Dona Roxinha & Ana Júlia Vilela, acompanhada por um ensaio assinado por Paula Borghi, segue em cartaz na Central Galeria de Arte, no Rio. O título faz referência a uma das obras de Dona Roxinha e expõem a forma dual de se encarar a contemporaneidade: ora de forma otimista, ora pessimista. Como observado por Paula Borghi:
“sempre há de haver boas e más notícias. […] Em um dia, por exemplo, acorda-se linda; no outro, indaga-se se todos os homens odeiam as mulheres”.

As pinturas de Roxinha e Ana Júlia, com uma variedade de tons pastéis, exploram as nuances de suas realidades cotidianas. De gerações diferentes, as artistas compartilham, muitas vezes, formas semelhantes de encarar o mundo. Ana Júlia nasceu logo após a popularização da internet doméstica, o que a torna intimamente familiarizada ao consumo e produção de texto e imagem conforme a linguagem de deboche das redes sociais. Em contrapartida, Dona Roxinha vem de uma época e sociabilidade muito distintas, quando “os memes eram feitos analogicamente, tal como nas frases de caminhão”, como coloca Borghi. A exposição Hoje acordei linda apresenta pinturas sobre tela e madeira com discursos paralelos, muitas vezes em tom irônico, que abordam temas diários e triviais, permeados por questões relacionadas ao gênero feminino e aos discursos feministas.
Maria José Lisboa da Cruz nasceu em 1956 em Lagoa de Pedra, Alagoas. Conhecida como Dona Roxinha, começou a trabalhar no fim da adolescência no cultivo de macaxeira, feijão e milho. Quebrou brita em pedreira e foi gari por quase duas décadas. Aos 59 anos começou a desenhar, e, em pouco tempo, expandiu fisicamente sua produção, substituindo as pequenas folhas de papel pelas paredes e muros de sua casa. Em 2021, passou a pintar em pedaços de MDF e materiais que encontrava em terrenos baldios durante suas caminhadas com um de seus filhos e o marido. Em 2023, fez sua primeira exposição individual, “Roxinha, uma vida de novela”, no Museu do Pontal, no Rio de Janeiro.
Ana Júlia Vilela nasceu em 1996 em Belo Horizonte, Minas Gerais. Bacharel em Artes Visuais pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), desenvolve sua poética principalmente na pintura e desenho. Seu trabalho transita entre o gráfico e o pictórico entendendo a tela tanto como superfície quanto janela. Aproveitando da linguagem instantânea das redes sociais em uma iconografia própria, repleta de formas fluidas e narrativas não lineares que intercalam humor e cultura pop, desenvolve um universo próprio com um leque de possibilidades temáticas.

dona roxinha & ana júlia vilela: hoje acordei linda
2023 – 2024
Central Galeria is pleased to present Hoje acordei linda (I woke up beautiful today), a joint exhibition by artists Ana Júlia Vilela and Dona Roxinha, matched by an essay written by curator Paula Borghi. The title references one of Roxinha’s pieces and reveals a dualistic approach to contemporaneity: optimistic at times, pessimistic at others. As noticed by Paula Borghi: “there will always be good news and bad ones. […]. A given day, for instance, one wakes up feeling beautiful. At others, one wonders whether all men just hate women”.
Colored in a pastel gamut Roxinha and Ana Júlia’s paintings delve into the nuance of their day-to-day reality. Although belonging in distinct generations, the artists often share worldviews. Ana Júlia was born soon after the rise of the home internet, which makes her more familiar with the creation and consumption of both text and image as posted in derogatory social media lingo. Dona Roxinha, on the other hand, is from a different period of time and a dissimilar sociability, when “memes were analogical, such as bumper stickers”, as written by Borghi. Hoje acordei linda displays paintings on canvas as well as on wood portraying, often ironically, concurrent statements that approach ordinary subjects as permeated by issues that reference the female gender and feminist commentary.

Maria José Lisboa da Cruz was born in Lagoa de Pedra, Alagoas, in 1956. Known as Dona Roxinha, she started working in cassava, beans and corn farming in her late teens. She broke gravel in quarries and was a street cleaner for two decades. At the age of 59, she took on drawing and soon expanded her work, replacing the small paper sheets with the walls of her home. In 2021, she started painting on MDF and other materials she’d find in vacant lots during walks with one of her kids and her husband. In 2023, she held her first solo show, “Roxinha, uma vida de novela” (“Roxinha, a Soap Opera Life”), at Museu do Pontal, Rio de Janeiro/RJ.
Ana Júlia Vilela was born in [1996] in Belo Horizonte, Minas Gerais. Holding an MFA in Visual Arts from Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), she unfolds her poetics primarily into paintings and drawings. Her work alternates from graphical to pictorial as she sees the canvas both as a surface and as a window. Employing the instantized expression of social media into a personal iconography, full of fluid shapes and nonlinear narratives that merge humor and pop culture, she develops a particular atmosphere through a wide array of potential themes.
Serviço: exposição Dona Roxinha & Ana Júlia Vilela: Hoje acordei linda na Central Galeria, na Rua Bento Freitas, 306.